Imagem: Wikimedia Commons — Michael Vadon — CC BY-SA 4.0
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que a perícia médica do INSS pode continuar sendo feita por telemedicina ou por simples análise de documentos, sem a obrigatoriedade de exame presencial em todos os casos. O julgamento, concluído em sessão virtual no dia 4 de setembro, confirma regras que já estavam em vigor e que afetam diretamente quem depende do INSS para receber benefícios como auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por invalidez e benefício assistencial para pessoa com deficiência.
A ação (ADI 7.949) foi apresentada pela Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais, que questionava trechos da Lei 14.724/2023 e da Lei 15.265/2025. Para a entidade, permitir que a perícia seja feita só com a análise de laudos e exames enviados pelo próprio segurado, sem exame físico feito por um médico perito, esvaziaria a função da perícia e feriria a autonomia da categoria e a competência do Conselho Federal de Medicina para regular a profissão.
O relator do caso, ministro Dias Toffoli, votou para rejeitar a ação, entendimento seguido pelos demais ministros. Um dos argumentos usados foi que, mesmo se as duas leis questionadas fossem derrubadas, a perícia por análise documental continuaria autorizada por outra norma, a Lei 14.441/2022, que trata do mesmo tema. Ou seja, na avaliação da Corte, retirar apenas parte das regras não mudaria a possibilidade de perícia à distância.
Na prática, a decisão não cria uma regra nova: ela mantém válido o que já vinha sendo aplicado pelo INSS desde a edição dessas leis. Isso significa que, dependendo do tipo de benefício e da análise do próprio instituto, o segurado pode ter o pedido avaliado por telemedicina, em consulta por vídeo com um perito, ou por análise dos documentos médicos enviados, sem precisar necessariamente comparecer a uma agência para exame presencial.
Essa possibilidade tende a ser especialmente sentida por quem mora mais longe de agências do INSS ou tem dificuldade de locomoção, como muitos idosos e pessoas com deficiência, público comum em cidades da Baixada Fluminense como Nova Iguaçu. Menos deslocamento e menos tempo de espera para conseguir uma data de perícia presencial podem representar acesso mais rápido a benefícios que, muitas vezes, são a principal fonte de renda da família enquanto a pessoa está afastada do trabalho por doença ou acidente.
Vale reforçar que a decisão não retira do perito médico federal a possibilidade de exigir exame presencial quando ele julgar necessário para o caso. A telemedicina e a análise documental são alternativas previstas em lei, não uma obrigação de dispensa do exame físico em toda situação.
Como parte da avaliação do INSS pode passar a depender diretamente dos laudos e exames enviados pelo próprio segurado, a qualidade e a atualização desses documentos ganham ainda mais importância. Relatórios médicos detalhados, com descrição da doença ou lesão, tempo de afastamento recomendado e exames complementares, ajudam a embasar a análise do perito, seja ela feita à distância ou pessoalmente.
Quem teve um pedido de benefício negado, ou está com dúvidas sobre como reunir a documentação médica necessária para um requerimento junto ao INSS, pode buscar orientação jurídica individualizada para entender as particularidades do seu caso.
Fonte: ID Previdenciário
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